Na madrugada de sexta-feira (12/03) o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), em parceria com a Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Civil deflagrou a Operação Clube da Caça, no município de Santa Teresa, na região serrana do Estado. O objetivo foi cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão temporária contra um grupo que realiza a caça ilegal de animais silvestres. Além de promotores de Justiça do MPES, participam da operação cerca de 150 policiais das PF, PMES e PC, mais funcionários do Ibama. As equipes saíram em comboio por volta das 4h da madrugada da sede da Promotoria de Justiça de Santa Teresa.
Foram expedidos dez mandados de prisão, sendo que nove foram cumpridos, com prisões temporárias e em flagrante, e 30 de busca e apreensão. Uma pessoa continua foragida. Os policiais apreenderam 15 armas registradas, 13 sem registro e 254 cartuchos e projetis de armas diversas. Alguns animais, que eram mantidos em cativeiro - entre eles aves em extinção, como um papagaio chauá e três catatais - foram entregues ao Ibama. No balanço da operação, também foram apresentados quatro armadilhas, redes para captura de pássaros, dois cascos de tartaruga marinha, um par de patas de tatu e 14 penas de arara.
“A Operação Clube da Caça tem como principal objetivo intimidar aqueles que ainda insistem em realizar a caça com o único prazer de matar”, apontou o promotor de Justiça Marcelo Volpato. “A condição financeira dos indivíduos é alta e não cometem o crime por subsistência. Alguns tem até mesmo autorização do Ibama para instalar criadouros. Portanto, é injustificável que a nossa fauna seja dizimada e é um princípio constitucional garantir o meio ambiente equilibrado para as futuras gerações”, acrescentou. Além de realizaram a caça ilegal em Santa Teresa, o grupo também tem registros de atividades ilícitas na Bahia.
De acordo com o delegado da Polícia Federal Fernando Amorim, as investigações começaram há três meses, a partir de informações de que pessoas estariam caçando em áreas de preservação ambiental. “Uma consequência dessa operação é o fator pedagógico. Essas pessoas não percebem que estão cometendo um crime ambiental e essas prisões servem também como ensinamento”, observou.
O chefe da fiscalização do Ibama em Santa Teresa, Arnaldo Uliana, destacou a importância de uma operação nesse momento na região. "O município tem um histórico de caça. As pessoas envolvidas têm alto poder aquisitivo e influência na cidade. Elas acabavam por incitar a população a cometer o crime da caça, por acharem que ficariam impunes", destacou. Todos os envolvidos presos foram encaminhados para a sede da Polícia Federal em São Torquato, Vila Velha.